O FIT passou, a Dercy até morreu (pasmem!) e eu não escrevi nada aqui. Me desculpem.
Já que não deu para escrever durante, vamos ao balanço do FIT:
Ao contrário dos outros anos, onde prevaleciam grupos reconhecidos nacional e internacionalmente, 2008 foi marcado por uma chuva de nomes para atrair público. Grande parte deles, como Beatriz Segall e Maria Padilha, foram decepção.
As peças de rua romperam com a tradicional temática folclórica, tomando como foco questões sociais. Já as adultas pagas, quase todas, tinham seus momentos monótonos. Não prenderam a atenção e não empolgaram tanto quanto em outros anos, embora a maioria tenha sido muito boa.
O Não-Lugar, em seu segundo ano com o nome definitivo, voltou à Swift e virou uma baladinha insossa, com DJ’s todas as noites e só.
Melhores peças:
Internacionais:
- Andersen’s Dream: Com seus mais de cinco idiomas, provocou as mais diversas sensações. Uma prova de que entender as falas nem sempre é o mais importante em uma peça.
- L’Oratoire D’Aurelia: Deixou a todos encantados e pasmos com suas ilusões de ótica.
Nacionais:
- Acqua Toffana: Um humor negro muito bom. A obsessividade de Fulano de Tal em matar Célia, sua vizinha dos pés gordos, e seus TOC’s são engraçadíssimos.
- Anjo Malaquias: A vida de Mário Quintana de forma bem leve.
- Aqueles Dois: Uma montagem com abordagem natural e progressiva do descobrimento mútuo de Raul e Saul.
- Cachorro!: Os cachorros, como foram carinhosamente apelidados pelo público, mandaram ver nessa montagem de Nelson Rodrigues onde impera o riso à desgraça alheia.
- Kavka – Agarrado Num Traço à Lápis: O último dia de Kafka. Um monólogo denso, brilhantemente encenado por Ricardo Pucceti. Não há meio-termo, ou você gosta, ou odeia.
- Senhora dos Afogados: O que mais poderia dar da junção do texto de Nelson Rodrigues com a direção de Antunes Filho? A ausência de um cenário complexo ressaltou ainda mais as qualidades dos atores.
Infantis:
- O Menino Teresa: De longe a melhor das infantis. Cláudia Missura mostrou que é uma ótima atriz. Era empolgante ver como ela se divertia em cena, mais até que os pequenos.
Rua:
- O Santo Guerreiro e o Herói Desajustado: Uma montagem ótima, que trouxe Dom Quixote e Sancho Pança aos dias de hoje. Cena para se lembrar: entram as madames cantando “troque seu cachorro por uma criança pobre”.
- Top! Top! Top!: As personagens de Henfil saíram dos quadrinhos e tomaram as ruas. Uma peça para mostrar que passou a ditadura mas alguns problemas permanecem.
Aldeia FIT:
- Asas: Não é atoa que a performance riopretense foi escalada para abrir um festival de teatro espanhol agosto que vem.
Piores peças:
Nacionais:
- Retratos Falantes: E daí que tinha Beatriz Segall e Chris Couto? Texto muito fraquinho, foram buscar na Inglaterra o que poderiam ter pego aqui com muito mais qualidade.
Rua:
- A Mulher Que Comeu o Mundo: Não cumpriu com o que propunha, além de não explicar os porquês e comos. Perda de tempo.
Vale a pena ver:
Internacionais:
- Le Retour au Désert: Um pouco cansativa em alguns momentos, novela demais em outros. No entanto, é uma peça que merece ser vista. Muito boa.
Nacionais:
- As Três Velhas: Como se auto-intitula, um “melodrama grotesco” das duas velhas de oitenta anos criadas pela empregada, centenária. Maria Alice Vergueiro, a do Tapa na Pantera, não acrescenta muito à história.
- Literatura Contemporânea: Um desabafo de Fernando Bonassi. Tem um texto muito bom.
Infantis:
- Homem Voa?: Conta a vida de Santos-Dumont utilizando bonecos manipulados e uma didática incrível.
- Sacy Pererê – A Lenda da Meia-Noite: Nada como resgatar o folclore brasileiro num teatro de sombras.
Rua:
- A Rua é Um Rio: Uma peça crítica, ajuda a abrir os olhos de quem só vê novela e jornalzinho.
Mais marcantes (ou peças soco-no-estômago):
- Adagio: A última e lenta noite da vida de uma mulher que sabe disso. Triste e melancólica.
- Manifiesto de Niños: Impossível sair sem se sentir impactado pelas atrocidades cometidas – reais ou não.
Galera simpatia:
Todo o elenco de Cachorro! e de Besouro, Cordão-de-Ouro; Dani Barros; Aurélia Thierrée e Cláudia Missura foram as meninas dos olhos do público. Conversaram com todo mundo, tiraram fotos, etc. Muito bacanas.
Galera nojo:
- A Beatriz Segall só foi vista no palco e ainda assim deu um ataque de estresse ao melhor estilo ator global no meio da peça. Não pode, Odetinha!
- Maria Padilha é muito nariz empinado, se achava a última bolacha do pacote e ainda queria um carro à disposição. Tenha dó…
Pra não esquecer:
Após a estréia de Literatura Contemporânea houve a inauguração da exposição de fotos sobre Kazuo Ono, um importante bailarino japonês. Para tanto, foi feito um coquetel com direito a siri, bolinho primavera, salgados de camarão e bacalhau, polenta frita, guarapa, caipirinha de saquê (frutas diversas), etc. Para quem iria jantar cachorro-quente aquilo foi um manjar dos deuses, que banquete…