Volta pra casa é sempre bom, ainda mais quando se consegue a carona com o tio. E, bom, quando se tem um tio lesado como o meu, ela pode se tornar uma viagem ao fantástico mundo alvariano.
Mas antes deixe-me apresentá-lo. Álvaro, cinqüentão, aposentado, escritor (poeta), fotógrafo, tirou foto com diversas “celebridades” (Marta Suplicy, Geraldo Álckmin, Garota de Ipanema, e por aí vai), mestre pela UFSCar, sistemático e nervosinho. Atualmente tem dois empregos (!), um deles é de monitor em uma creche municipal.
Pois bem, estávamos viajando e ele contando as desventuras e esbravejos com a impressora dele, quando o assunto caiu no seu trabalho na creche. Quanta didática!
Contou do molequinho que adora morder as pessoas (“ele morde e não solta!”); da hora do banho (“vai todo mundo de cuequinha ou calcinha e segurando a cuequinha ou calcinha limpa numa mão”); da hora de dormir (“dou uma chupeta pra cada um e deixo uma música instrumental, assim que eles dormem eu tiro as chupetas e guardo no bolso”); enfim… Mas a melhor história é a do procedimento anti-brigas no banho.
Durante o banho, os pequenos ficam jogando água um no outro, e como bem sabemos (e fomos devidamente prevenidos pelos nossos familiares) “brincadeira de mão acaba em choro”. Para prevenir essas situações extremas, meu tio, com toda sua didática, desenvolveu a seguinte tática:
Quando eles começam a fazer bagunça ele diz, todo contente:
-Quem quer sabonete no olho!?!?
De súbito, as mãos dos pequenos param e os sorrisos dão lugar a expressões fantasmagóricas.
-Não tio, não.
Problema resolvido!
Olha, fiquei um bom tempo rindo, imaginando a cena, coitados…
***Ele contou, também, de sua infecção no olho. Tinha pego conjuntivite e quando ela curou apareceu essa infecção. Desde então está de licença (para alegria da criançada).
A história foi mais ou menos assim, ele tinha acabado de se curar da conjuntivite e foi em algum lugar numa tarde. Então, para usar o óculos de sol, tirou as lentes de contato e deixou no carro.
Quando voltou, “as lentes estavam assim (careta), esturricadas, duras”. O que ele fez? Deixou as lentes por dois dias no soro fisiológico. Segundo ele, como as lentes são gelatinosas, basta colocar soro por uns dias que elas voltam a ficar hidratadas.
O fato é que “ficou uma pontinha, acho que foi de ter ficado amassada por um tempo” e ela acabou lesionado o olho do mente brilhante.
No ato, minha tia virou e disse “depois não sabe porquê o olho ‘tá infeccionado!?”. Ele jura que não foi por causa disso.
Eita, essa é minha família!!!








